ESTUDO REVELA AS DEZ PROFISSÕES COM MAIS ACIDENTES DE TRABALHO NO BRASIL
Um levantamento divulgado nesta terça-feira (3), durante a abertura do 23º Congresso Nacional da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), em Salvador, apontou que dez ocupações concentraram quase um terço dos acidentes de trabalho registrados no Brasil entre janeiro de 2023 e maio de 2026.
De acordo com o estudo, foram contabilizadas 548.612 notificações relacionadas a essas atividades, o equivalente a 29,8% dos aproximadamente 1,8 milhão de registros identificados em todo o país no período. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), vinculado ao Ministério da Saúde.
Entre as profissões que aparecem com maior número de ocorrências estão pedreiros, alimentadores de linha de produção, trabalhadores agropecuários, técnicos de enfermagem, faxineiros e motoboys. O resultado chama atenção para os riscos presentes em diferentes setores da economia, especialmente em atividades que envolvem esforço físico, movimentação de cargas, utilização de ferramentas e deslocamentos frequentes.
DEZ OCUPAÇÕES CONCENTRAM QUASE 30% DOS REGISTROS
A concentração de quase um terço das notificações em apenas dez ocupações demonstra que determinados grupos profissionais estão mais expostos aos acidentes durante a rotina de trabalho.
Na construção civil, por exemplo, trabalhadores podem enfrentar situações de risco relacionadas ao manuseio de materiais, utilização de equipamentos, movimentação em locais elevados e contato com objetos pesados. Já nas linhas de produção, a operação de máquinas e a repetição de movimentos exigem atenção constante às condições de segurança.
No setor agropecuário, as atividades também podem envolver ferramentas, equipamentos, animais e condições ambientais que aumentam a possibilidade de acidentes. Técnicos de enfermagem e profissionais de limpeza, por sua vez, lidam com rotinas que podem incluir contato com materiais perfurantes, produtos químicos, pisos molhados e deslocamentos constantes.
Os motoboys também aparecem entre as ocupações com maior número de registros, em um cenário no qual o trabalho nas ruas envolve exposição permanente ao trânsito e às condições das vias.
OBJETOS E QUEDAS ESTÃO ENTRE AS PRINCIPAIS CAUSAS
O levantamento também identificou os tipos de acidentes mais frequentemente informados nas notificações nacionais. Entre as principais causas externas estão impactos provocados por objetos lançados, projetados ou que caem sobre os trabalhadores.
Outro grupo expressivo de ocorrências envolve ferimentos causados por objetos cortantes ou penetrantes, além de quedas no mesmo nível, geralmente relacionadas a escorregões, tropeços ou passos em falso.
Esses registros mostram que os acidentes não estão restritos a situações consideradas extremas. Ocorrências aparentemente simples, como uma queda em um corredor ou um corte durante o manuseio de ferramentas, também podem provocar lesões e afastamentos.
A prevenção depende de medidas como manutenção de equipamentos, organização dos ambientes, sinalização de áreas de risco, fornecimento e utilização adequada de equipamentos de proteção individual e treinamento dos trabalhadores.
SUDESTE E SUL REÚNEM A MAIOR PARTE DAS NOTIFICAÇÕES
Na distribuição regional, o Sudeste aparece na primeira posição, com 221.679 notificações, correspondentes a 40,4% do total analisado. Em seguida está a Região Sul, que contabilizou 177.118 registros, ou 32,3%.
Somadas, as duas regiões concentram 72,7% das notificações identificadas pelo levantamento. Os números indicam uma participação expressiva dessas áreas no conjunto de acidentes registrados no país.
O estudo também apontou predominância de vítimas do sexo masculino: homens representam 78% dos casos. Em relação à raça ou cor declarada, os registros apresentam números próximos entre trabalhadores brancos, com 228.860 notificações, e pardos, com 224.628. Juntos, esses dois grupos correspondem a mais de 80% das ocorrências.
CONGRESSO DE MEDICINA DO TRABALHO SEGUE ATÉ SEXTA
Os dados foram apresentados durante a abertura do 23º Congresso Nacional da ANAMT, realizado no Centro de Convenções de Salvador. O encontro reúne profissionais e especialistas para discutir temas relacionados à saúde ocupacional, prevenção de doenças e segurança nos ambientes de trabalho.
A programação do congresso segue até sexta-feira (6). O levantamento reforça a importância de ampliar as ações de prevenção, identificar os riscos específicos de cada atividade e garantir condições adequadas para que os trabalhadores possam exercer suas funções com segurança.
EXCLUSIVAS BAHIA — Informação com responsabilidade.
Comentários e participação
Quer comentar, sugerir pauta ou pedir correção? Envie mensagem para a redação. Inclua o link da matéria e sua opinião — respondemos pelo e-mail informado.